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18 de março de 2017

As Praias Nordestinas Preferidas dos Casais em Lua de Mel

O litoral nordestino oferece 3 mil quilômetros de belas praias e diversidade natural. São muitas opções para quem quer aproveitar o sol do Nordeste durante o ano inteiro.
Aqui destacamos algumas que são perfeitas para passar ferias, passear com a família com os amigos e as preferidas dos casais em lua de mel. 
Independente da ocasião o litoral nordestino é sempre um lugar ideal para visitar.

Jericoacoara, Ceará 

Localizada no litoral do Ceará, a 300 km da capital Fortaleza, a praia de Jericoacoara é uma das mais belas e românticas praias do país. Jeri, como é carinhosamente chamada pelos nativos, possui lagoas de águas cristalinas, lindas dunas e um mar bastante calmo e ventos fortes. Apesar de ser uma área preservada, Jericoacoara possui em sua maioria pequenas pousadas confortáveis e algumas pousadas mais luxuosas.

Porto Seguro, Bahia 

Porto Seguro é um dos destino preferido dos casais em lua de mel, o local oferece diversos tipo de lazer para os viajantes. Como o local possui dezenas de praias com recifes de corais, piscinas naturais para mergulho e boa infraestrutura. Além de contar com ótimas pousadas e hotéis, restaurantes e lojinhas. Esse lindo paraíso que fica no sul da Bahia ainda é rico em referências históricas, por ser o local onde os portugueses chegaram em 1500.
Praia de Pipa, Rio Grande do Norte 
Localizado no município de Tibau do Sul, a 85 km da capital Natal, no Rio Grande do Norte, a Praia de Pipa é o balneário mais badalado do estado, com praias bastante famosas como a Praia do Amor e a Praia do madeiro, ótima para casais em lua de mel.

Porto de Galinhas, Pernambuco – Brasil
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A Praia de Porto de Galinhas fica no litoral de Pernambuco e aparece com certa frequência na lista de praias prediletas pelos viajantes brasileiros. A beleza de suas piscinas naturais atrai turistas de todo o Brasil, com hospedagens que vão de pousadas simples à resorts de luxo, o belo visual do local é a garantia de que a viagem romântica tão desejada será realizada.
Baía do Sancho, Fernando de Noronha/PE 

A 545 km da capital Recife, o arquipélago de Fernando de Noronha, formado por 21 ilhas, se tornou mundialmente famosa devido as suas paradisíacas praias, trilhas e sua vida marinha. O turismo em Noronha é bastante limitado, o que mantém suas praias protegidas, preservadas e geralmente desertas. Uma das praias mais conhecidas do arquipélago é a Baía do Sancho, que já foi apontada como uma das melhores do Brasil.

Praia dos Carneiros, Pernambuco 
Foto:Ricardo Junior” site www.ricardojuniorfotografias.com.br;
 “pontos turísticos do Brasil”  http://www.guiaviagensbrasil.com;

Considerada uma das praias mais bonitas e paradisíaca do Nordeste, a Praia dos Carneiros é digna de cartão-postal, já que ela possui um vasto coqueiral que faz sombra sobre a areia clara, mar verde-transparente que forma várias piscinas naturais repletas de peixes coloridos. Para completar o cenário, o local possui uma igrejinha do século 18. Não é à toa que centenas de casais em lua de mel chegam ao local para relaxar e aproveitar a tranquilidade que essa incrível praia oferece.

Natal, Rio grande do Norte 

A cidade de Natal possui belas praias, dunas e lagoas, que de fato define a paisagem do local, todos esses atributos acaba atraindo muitos casais em lua de mel do Brasil. Na região da capital potiguar, o turista pode fazer passeios de bugue, andar de dromedário e deslizar em suas dunas gigantescas. Na orla da cidade, o destaque ficapara as praias de Ponta Negra, do Forte e Barreira d’ Água, onde estão alguns dos principais resorts da cidade.
Maceió, Alagoas 
Alagoas considerada uma das mais belas capitais do Brasil, possui praias muito populares e interessantes para os casais em lua de mel. Ipioca, Cruz das Almas, Jatiúca, Ponta Verde e Praia do Francês são algumas das belas praias que encantam os visitantes. Os passeios de barco e jangada também podem ser realizados na capital alagoana. Já para os casais baladeiros de plantão, Maceió oferece excelentes casas de forró que são bastante agitadas.

Canoa Quebrada, Ceará 

Canoa Quebrada fica localizada a 170 km de Fortaleza. O local atrai muitos casais em lua de mel que buscam praias com paisagens paradisíacas e com boa infraestrutura turística. O local é cercado por dunas, falésias de cores terrosas fortes e um belíssimo mar de águas claras. No local um dos passeios mais indicado são o de bugue, quadriciclo e até a do paraglider, impulsionado pelos fortes ventos que cruzam o local. Um dos momento mais romântico da viagem é apreciar o final do dia, que é quando Canoa Quebrada proporciona um belíssimo pôr do sol aos seu visitantes. Já durante a noite, o casal em lua de mel poderá caminhar e jantar pelo centrinho do balneário de Canoa Quebrada, que oferece bons restaurantes e barzinhos aconchegantes.

8 de março de 2017

O Nascimento de Jesus - Cordel

Autor: Euriano Sales

Dos doze meses do ano

O de dezembro é o mais bonito

Todo mundo prega a paz

Confraternizam em nome de Cristo

Mas ai daquele que não der um presente

Pode gerar até um conflito



É verdade, é assim que acontece
E por favor não me interprete mal
Pois esse mês tão lindo que eu disse
Também é o mês mais comercial
Nascimento de quem? Jesus?
Eu quero é meu presente de natal

Ninguem lembra do começo de tudo
Mas pode deixar, vou refrescar sua memória
Há muito tempo, lá em Belém
Deu início a essa bela história
Do verdadeiro dono da festa
Digno de toda honra e glória

Houve um período na história
Que Deus se calou pro seu povo
Foram cerca de 400 anos
Até surgir um profeta novo
O nome dele seria João
Responsável por esse renovo

Zacarias era um homem bem velho
E Isabel também bem veinha
Ter um minino nessa altura do campeonato
Só podia ser piada de vizinha
Mas como Deus não é homi de piada
Fez nascer justo de onde não vinha

Gabriel, o arcanjo do Senhor
Disse a Zacarias que ele ia se papai
O homi se espantou com aquilo
E achou que não, jamais
Gabriel olhou e disse pra ele:
Tu pensa que eu sou anjo paraguai?

Eu sou é servo de Deus
Que mandou esse recado trazer
Mas como você tá duvidando
Se prepare pro que eu vou fazer
Vai ficar sem falar uma ruma de dia
Até o minino nascer

E assim foi o acontecido
Isabel, bem veinha, embuchou
Zacarias continuava mudo
Mesmo assim a Deus adorou
A mulher já tava com seis meses
Quando o anjo do céu retornou

Mas dessa vez bateu noutra porta
Na de Maria, prima de Isabel
Ela era uma moça bem jovem
Abençoada por Deus, mulher fiel
Ele disse que ela ia ter um minino
Jesus, o nazareno, o Emanuel

Por ser virgem ela achou impossível
Mas não quis do senhor duvidar
Já José, seu noivo na época
O casamento ele quis cancelar
Mas o anjo explicou tudinho
E o homi se apressou pra casar

Deus quando fala, fala é direito
E toda promessa Dele é confirmada
Esse negócio que o Senhor mandou dizer
Sem confirmação é tudo furada
Tu acredita que Deus confirmou ainda mais
A promessa que já foi aprovada?

Maria foi visitar Isabel
E na chegada a cumprimentou
Isabel quando viu Maria
O minino no bucho balançou
Sabia nem que a outra tava gravida e disse:
Acredite Maria, no que anjo Falou.

Isabel teve o minino
E o povo doido pra saber o nome
Disseram pra por Zacarias Filho
Ela disse que era João e batista o sobrenome
Eles insistiram em chamar Zacarias
E o pai sem falar, escreveu sem cognome

Cognome é mesmo que apelido
Ele escreveu bem direitin o nome de João
Poderia ter escrito Joazin
Mas o anjo não tava de brincadeira não
Zacarias voltou a falar
E essa história correu a região

Naquela época também tinha IBGE
Que contava o tamanho da população
Mas se eu sou do ceará e morava em alagoas
A contagem não valia não
Tinha que voltar pra minha terrinha
E se apresentar ao escrivão

Foi numa dessa que nasceu Jesus.
José e Maria moravam em Nazaré
Foram a Belém pra tal contagem
150 kilômetros de viajem a pé
O jumentinho era só pra Maria
Coitado dos pés de José

A cidade tava lotada
Não tinha vaga em nenhum pensão
O minino se aprontou pra nascer
Maria já tava com um barrigão
Correram pra uma estrebaria
E cadê ter médico de plantão?

Jesus nasceu ali mesmo
Simples como devemos ser
Não teve médico, nem enfermeira
Mas Deus assim quis fazer
Pra servir de lição pra muitos
Que querem tanto aparecer

Deus se encarregou da Festa
Teve até chá de bebê
Fez nascer no céu uma estrela
Para que todos pudessem ver
Que ali nasceu o minino
Que por nós irá vencer

Três pastores ao ver a estrela
Se perguntavam o que era aquilo
O Anjo de Deus foi até eles
E disse: Rapaz, fique tranquilo
Nasceu o Rei de vocês
Vão lá visitar o pupilo

Os homens pensaram em palácio
E foram até o Rei Herodes
O perguntaram pelo rei que nasceu
- Que rei? Se eu sou o lorde?
O cabra ficou enjuriado
E Chamou o sacerdote

Me diga onde vai nascer o Messias
Fale logo que eu tô aperriado
Responderam que era em Belém
O cabra ficou agoniado
Chamou os pastores pra conversa
E mentiu bem descarado

Vão até lá e achem o minino
Depois voltem pra cá
Quero que me digam direitinho
Onde o Rei pode estar
POis também quero ir
Me prostar e adorar

O pastores sairam dali
Acreditando que era verdade
O anjo de Deus os guiou
Há uma certa maternidade
Onde nasciam cavalos e bois
Dos homens daquela cidade

Belchior, Gaspar e Baltazar
Eram os nomes daqueleS senhores
Quando viram o minino ali
Sem luxo, riqueza e valores
Sentiram a presença de Deus
E choraram aqueles pastores

O chá de bebê de Jesus
Aconteceu naquele momento
Ao invés de fralda tinha ouro
De chupeta tinha incenso
Foi dado até um pote de mirra
Como forma de agradecimento

Deus disse pra eles em sonho
Pra mudarem o caminho da volta
Pois herodes estavam esperando
Armado com sua escolta
A fim de pegar o minino
E fazer uma reviralvolta

Deus disse também a José
pro egito ele fugir
Pois o rei ia matar
O bebê nascido ali
Jesus o nazareno
Descendente de Davi

Do egito eles foram
Conforme disse a profecia
Para a terra de Nazaré
Onde ele cresceria
Foi batizado por João
O filho de Zacaria.

Essa sim é a história
Que todos devemos lembrar
Que eu saiba Jesus não era gordo
E de trenó não costuma andar
E foi dele o maior presente
A salvação que vamos herdar

Dia Internacional da Mulher, Maria Bonita

Maria Bonita 
Já pensei no dia Internacional da Mulher como um dia preconceituoso “Por que bixiga lixa tem que ter um dia para nós?”, pois é, tem que ter. Afinal, ainda há preconceito, subjugação e violência. Há salários menores e um acúmulo de tarefas que parece ser o preço de nossa independência. Assim, esse Dia Internacional da Mulher não deve ser para a comemoração de nossa existência, porque isso é óbvio, cá estou eu que não deixo mentir, mas sim para a abertura de discussões, para a reflexão ou para ficar com a moléstia dos cachorros, como a nossa companheira abaixo.


MARIA BONITA
Por Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabucopesquisaescolar@fundaj.gov.br

Maria Gomes de Oliveira nasceu no dia 8 de março de 1911, na fazenda Malhada do Caiçara, próximo à localidade Santa Brígida, no Estado da Bahia. Os familiares chamavam-na de Maria Déia. Seus pais, moradores de Jeremoabo, eram os fazendeiros Maria Joaquina da Conceição e José Gomes de Oliveira.

Aos 15 anos, Maria Déia se casava com o sapateiro José Miguel da Silva, apelidado Zé do Neném. O casal permaneceria junto durante cinco anos, mas, como José era estéril, eles não tiveram filhos. As brigas entre os dois eram muito freqüentes e, a cada desavença, Maria costumava se mudar para a fazenda Malhada do Caiçara, que ficava próxima à Cachoeira de Paulo Afonso, de propriedade dos seus pais.

Por aquela fazenda passou Virgulino Ferreira da Silva, o famoso e temido Lampião. Uns dizem que, sem nunca tê-lo visto, Maria Déia já nutria um grande amor platônico pelo cangaceiro. Outros afirmam que a mãe dela segredara, ao próprio Lampião, a existência daquela paixão. E, há quem jure, que foi Luís Pedro – um dos integrantes do bando – quem insistiu para o rei do cangaço conhecê-la.

Independentemente de como tenha sido, realmente, aquela troca de energias, fato é que a atração entre eles foi imediata e recíproca: o cangaceiro caiu de amores por Maria Déia e vice-versa. Impressionado por sua beleza, passou a chamá-la de Maria Bonita. E, ao invés de ficar três dias na fazenda, como era de praxe, permaneceu dez, vivenciando com a esposa de Zé do Neném um tórrido romance.

Ao cabo dos dez dias, sem medir riscos e dificuldades, Maria Bonita colocou suas roupas em dois bornais, despediu-se do marido para sempre, abraçou os familiares, e partiu com Lampião rumo à caatinga. Foi a primeira mulher a se inserir oficialmente no bando, abrindo um precedente até então inabalável. Os demais cangaceiros respeitavam-na muito, referindo-se a ela como Dona Maria, Maria de Lampião ou Maria do Capitão. Era o ano 1931 e Maria Bonita tinha 20 anos.

A partir daí, outras mulheres também entraram para o cangaço. Seria uma verdadeira revolução feminista, uma vez que se emanciparam e impuseram respeito. Muito embora não participassem dos combates, de forma direta, elas eram preciosas colaboradoras, tomando parte das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos companheiros. Fosse representando um porto seguro, ou funcionando como um ponto de apoio importante, para se implorar algum tipo de clemência junto aos cangaceiros, as representantes do sexo feminino contribuíam para acalmar e humanizar os homens, limitando-lhes os excessos de desmandos. Muitas portavam armas de cano curto (do tipo Mauser) e, em caso de defesa pessoal, estavam sempre prontas para atirar. Excetuando-se Lampião e Maria Bonita, os casais mais famosos do cangaço foram: Corisco e Dadá; Galo e Inacinha; Moita Brava e Sebastiana; José Sereno e Cila; Labareda e Maria; José Baiano e Lídia; e Luís Pedro e Neném.

Cabe ressaltar que, apesar de receberem a proteção paternalista dos cangaceiros, a vida das mulheres era bastante difícil. Levar a termo as gestações no desconforto da caatinga, por exemplo, significava sofrimento; e, muitas vezes, logo após o parto, elas eram obrigadas a fazer longas caminhadas, fugindo das volantes. Caso não possuíssem uma resistência física incomum, não conseguiam sobreviver àquele cotidiano inóspito.

Após ter ido viver com Lampião, Maria Bonita engravidou, mas, com pouco tempo, perdeu espontaneamente o feto. E este não seria o único aborto que teve na vida. Em 1932, contudo, ela conseguiu levar a termo a gestação, dando à luz à sombra de um umbuzeiro, no meio da caatinga, em Porto de Folha, no Estado de Sergipe. Lampião foi seu parteiro. A criança? Uma menina que chamaram de Expedita.

A despeito de ser um bandido temido por muitos, Lampião era um homem extremamente jeitoso, dotado de grande capacidade de improvisação: confeccionava suas roupas, fazia os curativos, encanava pernas e braços quebrados, realizava os partos das companheiras dos cangaceiros, entre outros. Superdotado de inteligência, ele era, ao mesmo tempo, guerrilheiro, médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista e artesão.

No tocante à Expedita, vale salientar dois pontos importantes: primeiro, o de que não era permitida a presença de crianças no bando. Logo que nasciam, os bebês eram entregues aos parentes não engajados no cangaço, ou deixados com familiares de padres, coronéis, juízes, militares, ou fazendeiros. Segundo: a vida dos cangaceiros era instável, com intensas perseguições, tiroteios e confrontos. Por esses motivos, Lampião e Maria Bonita não podiam criar Expedita. E os fatos, a partir daí, se tornaram, também, uma questão polêmica. Uns disseram que Expedita foi entregue a tio João, irmão de Lampião, que nunca fez parte do cangaço; e, outros, testemunharam que ela foi deixada com o vaqueiro Manuel Severo, na fazenda Jaçoba. Seja lá como tenha sido, Maria Bonita não pôde criar a própria filha: a sua vida já estava intimamente ligada à própria linha do cangaço.

Em uma luta contra a volante pernambucana, na vila de Serrinha, próximo ao município de Garanhuns (PE), a mulher de Lampião era baleada. Como estava perdendo muito sangue, o Capitão Virgulino deu ordem para que a luta fosse encerrada imediatamente, pegou a sua amada nos braços e seguiu rumo ao município de Buíque, onde ela tratou os ferimentos na vila de Guaribas.

No dia 27 de julho de 1938, conforme o costume de anos a fio, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Na madrugada do dia 28, porém, a volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Quando alguém deu o alarme, já era tarde demais.

Quando os policiais abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou uns vinte minutos, e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Lampião fora ferido gravemente e, logo em seguida, o mesmo ocorreu com Maria Bonita.

Ainda assim, ela rastejou até o companheiro (que ainda respirava) e pediu para ele ser poupado. Mas, suas preces foram inúteis. Arrastada pelos cabelos por um dos soldados – José Panta de Godoy – a cangaceira foi degolada viva. Sua cabeça ficou pendurada no pescoço. O próprio Godoy contou, no local da chacina, como procedeu para separar a cabeça de Maria Bonita:

Depois de cortar a cabeça, que até tive que bater no osso, saiu muito sangue, e eu enfiei o dedo dentro do tutano que tinha e barriei tudo, que era de um branco danado.

Feito isso, o corpo foi colocado em posições grotescas, para risos da volante. Das 34 pessoas presentes no bando, 11 foram mortas em Angico. Bastante eufóricos com a vitória, os soldados ainda saquearam e mutilaram os mortos, roubando-lhes todo o dinheiro, ouro, e jóias. Com Maria Bonita morreu, também, a mulher mais famosa da história do cangaço.

Os soldados colocaram as cabeças cortadas, como troféus de vitória, em latas de querosene contendo aguardente e cal. E, para alimentar os urubus, deixaram os corpos mutilados e ensangüentados a céu aberto. Mesmo em adiantado estado de decomposição, as cabeças percorreram uma parte do Nordeste do Brasil, sendo exibidas à população. Elas atraiam multidões, onde quer que fossem expostas.

No Instituto de Medicina Legal de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas e examinadas, pois havia a hipótese de que, um indivíduo normal, não se tornava bandido. Em outras palavras, era preciso haver características sui generis, um tipo de tara sertaneja, para que alguém se transformasse em cangaceiro.

Depois de muitos estudos, no entanto, contrariando aquela tese, os pesquisadores concluíram que as cabeças não apresentavam qualquer sinal de degenerescência física, tampouco anomalias ou displasias, e classificaram-nas, simplesmente, como dolicocéfalas. Feito isto, os restos mortais seguiram para o sul do País e, de lá, para Salvador, onde permaneceram seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, os pesquisadores, não conformados com o laudo anterior, tornaram a medir, pesar, estudar as cabeças. Isto representou, apenas, mais uma das tentativas inúteis para se descobrir uma patologia preexistente. Depois dessa romaria, aqueles trunfos de guerra ficaram expostos, por mais de 30 anos, no Museu Nina Rodrigues, em Salvador.

As famílias dos cangaceiros lutaram junto à Justiça, durante muito tempo, visando proporcionar um enterro digno aos seus parentes. Isto só veio a ocorrer, porém, depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965, que teve sua origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e que foi reforçado pelas pressões da população. Neste sentido, após longos anos de exposições, de estudos e protestos, no dia 6 de fevereiro de 1969, as cabeças de Maria Bonita e Lampião foram sepultadas no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador.

Em se tratando da memória do cangaço, do banditismo, da cultura violenta (indiferença e insensibilidade perante o sangue e a morte), entre outros temas, Maria Bonita tem sido pesquisada por acadêmicos, e destacada através da literatura, do cinema, da fotografia, das artes. Os trovadores e poetas populares nordestinos, ao longo dos anos, compuseram muitos versos (inclusive cantados) utilizando o seu nome. Um deles foi o seguinte:


Acorda, acorda Maria Bonita,

Acorda, vem fazer o café,

Que o dia já vem raiando,

E a polícia já está de pé.


Maria Bonita e Lampião possuem familiares em Aracaju (SE). Expedita, a única filha do casal, casou-se com Manuel Messias Neto, dando quatro netos – Djair, Gleuse, Isa e Cristina – à mítica rainha do cangaço.

Fonte:http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=309&textCode=6334&date=currentDate

COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Maria Bonita. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009