13 de março de 2013

Foto Elielma Santos  
Planta conhecida popularmente como maracujá-mochila, maracujá do mato ou maracujá-tubarão, mas seu nome científico é Passiflora cincinnata. Essa espécie pertence à família Passifloraceae e apresenta ampla distribuição na América do Sul, sendo registrada do leste do Brasil até o oeste da Bolívia, ocorrendo em campo ruprestre,caatinga, floresta estacional e cerrado, além de ser frequente em ambientes perturbados (Killip 1938, Nunes & Queiroz 2001, Nunes & Queiroz 2006). No Brasil, há registro de ocorrência desta espécie para os Estados do Pará, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernambuco, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina (Lima & Cunha 2004).
Trepadeira alta subarbustiva volúvel, medindo de 2 a 12m comprimento; ramos cilíndricos ou subangulosos, 0,5-1 cm de largura, glabro, com gavinhas espiraladas estriados, com estípulas filiformes, persistentes. Folhas simples, alternas; lâmina 5-10 x 2-4 cm, elíptica a oval-elíptica, cartácea, 3-5-palmada; pecíolo cilíndrico, 1-5 cm de comprimento, com 2 glândulas nectaríferas basais. Inflorescências axilares, solitárias. Flores vistosas, monoclinas pentâmeras; cálice actinomorfo, sépalas livres, oblongas a lanceoladas, 2,5-3 cm comprimento; corola actinomorfa, púrpura a roséa, pétalas livres, oblongo- lanceoladas, 3,54 cm comprimento, com uma corona de filamentos, multisseriada, cerúlea, rósea a púrpura. Fruto baga, ovóide, 5-6 x 3-4 cm. Sementes inúmeras, ovais, foveoladas, negras, medindo 6 x 3 mm. 
.
 Por apresentar floração praticamente ao longo de todo o ano, esta espécie pode ser considerada como uma fonte constante de néctar e pólen para as abelhas da Caatinga.Quanto aos visitantes florais, às flores de P. cincinnata são visitadas frequentemente por abelhas, vespas, mariposas e beija-flores. P. cincinnata apresenta potencial de mercado e, de forma particular, para a industrialização em pequenas fábricas caseiras, por se constituir em um produto diferenciado, de sabor característico, em relação ao maracujá amarelo. A vantagem do cultivo desta espécie é sua natureza perene e sua resistência à seca, pois se desenvolve nos mais diversos solos da região semiárida, em condições absolutas de sequeiro.
 Seus frutos, isentos de agrotóxicos e sabor exótico, já são comercializados nas pequenas feiras livres em vários municípios do semiárido, embora sua produtividade, de cerca de nove toneladas por hectare em área dependente de chuva, seja considerada bem menor do que a do maracujá amarelo. O produto processado, na forma de geléia já começa a ser exportado para a Alemanha e Itália, sendo também consumido na merenda escolar dos municípios de Uauá, Curaçá e Canudos, na Bahia (Araújo et al. 2006, Araújo 2007).
Atualmente, P. cincinnata vem sendo explorada apenas para subsistência e de forma extrativista. A integração da fruticultura às atividades de pequenas indústrias de beneficiamento e processamento dos frutos em doces, geléias, mousses e sucos sinalizam o mercado promissor para esse tipo de fruta. Além disso,é considerada potencialmente importante para uso como porta-enxerto, uma vez que é tolerante a doenças e nematóides, apresentar longevidade, período de florescimento ampliado e maior concentração de componentes químicos destinados à indústria farmacêutica, tem contribuído de forma importante em programas de melhoramento vegetal (Meletti et al. 2005).
Maracujá da Mato(Caatinga) 

Referências:
Renato Braga. Plantas do nordeste, especialmente do Ceará. Fortaleza: coleção mossoroense-volume XLII, 1996. Pg: 357.

Lúcia Helena Piedade Kiill ,Kátia Maria Medeiros de Siqueira, Francisco Pinheiro de Araújo , Sabrina Pitombeira Monteiro Trigo, Edsangela de Araújo Feitoza & Ivanice Borges Lemos. BIOLOGIA REPRODUTIVA DE Passiflora cincinnata MAST. (PASSIFLORACEAE) NA REGIÃO DE PETROLINA (PERNAMBUCO, BRAZIL) . Oecologia Australis 14(1): 115-127, Março 2010 doi:10.4257/oeco.2010.1401.05.Valdir Zucareli ,Gisela Ferreira,Tainara Bortolucci Ferrari e Amanda Cristina Esteves Amaro. Passiflora cincinnata Mast. com Uso de Reguladores Vegetais. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, v. 5, supl. 2, p. 846-848, jul. 2007.
Reações:

0 comentários:

Postar um comentário

Você no Blog Nordestinos Paulistanos
jornalista cidadão.
Envie textos
fotos,
vídeos
Cultura,história da cidade,causos,linguajar,poesia,cordéis e muito mais.

TV Nordestinos Paulistanos

Mais Acessadas