13 de maio de 2013

Remédios do sertão 

O semi-árido é a aposta dos cientistas na busca por substâncias que podem revolucionar o tratamento de doenças como o câncer e o Alzheimer

Por Anderson Moço | Design Luciana Steckel | Ilustrações Omar Grassetti

O sertão não virou mar, mas se transformou em uma promissora farmácia a céu aberto. Pelo menos é isso que tem revelado uma série de estudos que estão sendo feitos no Nordeste do país. Renomados cientistas brasileiros encontraram, em dezenas de plantas que crescem no semi-árido, substâncias com alto poder terapêutico contra doenças sérias e, muitas vezes, letais.

As investigações começaram há pouquíssimo tempo, mas os resultados têm sido tão surpreendentes que os pesquisadores apostam que é da região mais seca do país que irá surgir uma nova leva de medicamentos capazes de salvar milhões de vidas nos próximos anos. Alguns dos compostos descobertos são únicos, ou seja, "só foram encontrados nas espécies que crescem aqui no sertão", conta Manoel Odorico de Moraes, oncologista da Unidade de Farmacologia Clínica da Universidade Federal do Ceará. "Seus efeitos sobre as células humanas doentes são tão positivos que poderão perfeitamente originar ou mesmo servir de base para a síntese de novos e poderosos fármacos", completa.

Não estamos falando aqui de chazinhos ou beberagens tradicionais, mas sim de remédios extremamente seguros e precisos, que envolvem pesquisa de ponta e investimentos milionários. Quem pensa que o semi-árido é apenas uma área seca onde reinam a morte e a fome está redondamente enganado. A região tem uma biodiversidade riquíssima, que consegue sobreviver às mais duras intempéries e é exatamente essa capacidade de resistir que torna essas plantas tão especiais.

Muitas espécies típicas do sertão não existem em mais nenhum lugar do planeta. E as que já são comuns em outras localidades sofrem modicações naturais para fazer frente à aspereza do clima, explica Milena Pereira Soares, bióloga da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia. Em boa parte do ano não cai uma única gota de água do céu. E aí asplantas cam tão ressequidas que algumas delas até parecem mortas. Mas a estação das chuvas muda esse cenário radicalmente e a vegetação volta a brotar.

Pesquisas indicam que, para conseguir viver com pouca água, quase morrer e depois renascer, as plantas têm que fabricar compostos químicos potentes e são eles que apresentam alto valor terapêutico. Os estudos com plantas do semi-árido não se limitam ao desenvolvimento de novos medicamentos. Eles também focam na conservação ambiental.

O sertão apresenta um dos piores indicadores sociais do país e a população local é extremamente dependente dos recursos naturais. A madeira de espécies raras muitas vezes é usada como lenha e áreas extensas são transformadas em pastagem para o gado, exemplica Suzimone Correia, professora de química da Universidade Estadual do Sudoeste do Bahia. A destruição sistemática dessa riqueza vegetal impede a descoberta de espécies que poderiam representar uma esperança de cura para diversas doenças.

Felizmente, nem tudo é terra arrasada, centenas de plantas são coletadas, catalogadas e analisadas. Na maioria delas observou-se pelo menos uma atividade farmacológica, o que não é comum em vegetações de outras regiões do país. É claro que muitas etapas ainda serão percorridas até que essas substâncias sejam sintetizadas e virem remédio. E isso ainda demora alguns anos. Nos complementos você vai conhecer uma seleção de espécies que já chamam a atenção como grandes promessas da tomedicina.

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