1 de julho de 2013

 

*Publicado na Revista do Historiador - maio/junho de 2012 
É de conhecimento de todos que a migração nordestina é um processo migratório secular de populações oriundas da região nordeste do Brasil para outras partes do país. Esse movimento demográfico teve e tem grande relevância na história da migração do Brasil para outras partes do país. Esse movimento demográfico teve e tem grande relevância na história da migração no Brasil, desde a época do Império. 

Os problemas com a economia, constantes secas e a prosperidade econômica de outras regiões do Brasil foram fatores determinantes no início do processo migratório nordestino. 

A migração de brasileiros de outros estados para São Paulo ganhou importância econômica no final dos anos 1920, pois coincidiu com o refluxo da imigração e a crise da economia cafeeira no mesmo período. A opção pela inserção de trabalhadores nacionais, especialmente no Nordeste, foi então considerada, pois eles aceitavam baixos salários. Na época o Nordeste era considerado um lugar inviável, e em contrapartida são Paulo era considerado o Estado das oportunidades e do êxito. 

Inseridos prioritariamente nas regiões produtoras de café e algodão do noroeste do Estado, a partir da década de 1930 até 1950 esses migrantes sustentaram um setor agroexportador em crise por várias décadas. Foram aproximadamente um milhão e quinhentos mil migrantes inseridos por uma política oficial de incentivo ao deslocamento Nordeste-Sudeste. 

Cumpridos os contratos de trabalho, muitos migrantes rumavam para outras fazendas e outras cidades. Essa dinâmica está refletida em sua chegada e fixação na cidade de São Paulo, configurando uma migração rural-urbana. 

Já na capital, eles se transformaram na mão de obra por excelência empregada nas indústrias e na construção civil, incentivando uma reurbanização da capital. 

Realmente foi um fenômeno demográfico bastante relevante durante a Era Vargas, quando o número de migrantes nacionais superou o de imigrantes vindos de outros países, tornando essa migração muito intensa. 

Com a melhoria estrutural de outras regiões do Brasil, somada aos problemas que surgiram nas grandes cidades por causa da superpopulação, o processo de periferização os colocou nas regiões mais precárias e desvalorizadas da cidade, e alguns bairros foram se constituindo com um perfil de população majoritariamente migrante, como o caso dos bairros da zona Leste (São Miguel Paulista) e zona Sul (Santo Amaro), além do ABC (os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano). 

Entre as décadas de 1980 e 1990 o fluxo migratório para o Sudeste diminuiu e surgiram também migrações para a região do Distrito Federal e para a região amazônica. 

Devido às crises econômicas e à saturação dos mercados de várias cidades, surgiu um problema generalizado de aumento do desemprego, de queda da qualidade da educação e redução gradativa da renda. Isto fez com que parte da população de origem nordestina e de seus descendentes, os quais antes haviam migrado pela falta de recursos, mantivessem uma baixa qualidade de vida. Por causa da visão espelhada nas décadas anteriores, o falso ideal imaginário que se formou em relação à região Sudeste é o da promessa de uma qualidade de vida melhor, de fácil oportunidade de emprego, salários mais altos etc; iludido por esse sonho, quando um nordestino migra para o Sudeste em busca de uma melhoria na qualidade de vida, acaba encontrando o contrário; por isso, nos últimos anos, o movimento tradicional de emigração tem se reduzido ou até se invertido na região Nordeste.
 
Imigrantes Notáveis 

 
Alguns migrantes nordestinos alcançaram relativo sucesso no país, não só no Estado de São Paulo, mas em todos os estados brasileiros, como é o caso do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; Luíza Erundina, a primeira mulher eleita prefeita de São Paulo; Assis Chateaubriand, que fundou na capital paulista o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e a TV Tupi; José Ermírio de Moraes, que criou em São Paulo o Grupo Votorantim; Casimiro Montenegro Filho, que fundou no Estado de São Paulo o ITA e CTA, instituições que foram o embrião da Embraer, como também pioneiro do CAN; e tantos outros. 

Fonte:www.umaveiadeutopia.blogspot.com.br
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