14 de outubro de 2013

Por Adailza Guimarães Antas(Bahia) Preconceito Geográfico
Imagem: Elielma Santos Panelas - PE (Blog Historia e Cenários Nordestinos)
Eu, baiana do sertão ainda ontem , quando falava com minha amiga cearense, ouvi pela primeira vez a expressão: PRECONCEITO GEOGRÁFICO DA VOZ. Ela se referia as inúmeras vezes em que teve que gastar seu tempo pra discutir com muitos brasileiros não nordestinos sobre nosso sotaque. Que assunto sério! SOTAQUE! Nós, nordestinos, com toda a ignorância que acham que nos cabe, somos capazes de assimilar facilmente o sotaque de qualquer Pátria; aprendemos naturalmente que o sotaque alheio aflora em nos, respeitoso interesse no sentido de aproveitarmos o que cada povo tem a ensinar. E como aprendemos. Aprendemos a respeitar as diferenças, aprendemos que a luta em defesa dessas diferenças sempre foi e é a manivela da vida que move o mundo. Todas as grandes tragédias e comédias, todas as grandes batalhas e conquistas, todas as guerras foram iniciadas mediante o desejo de defender as diferenças; diferenças raciais, religiosas, sociais, políticas, econômica... Se fizermos um retrospecto da historia, concluímos que o homem, nós , desde os primórdios brigamos e vivemos com este anseio. E brigamos com todas as armas. Já brigamos com a pedra, a cruz, a flecha, a lança, a espada, a foice e o machado; e, num progresso natural, brigamos hoje com pesadas armas e mísseis, mas houve quem brigasse com a voz. Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Mandela... Qual foi o sotaque desses homens que simplesmente tendo a voz como arma mudaram mundo?


Bom, voltando ao incômodo do nosso sotaque, imediatamente senti aflorar em mim o desejo de brigar em favor da minha voz; desabafar em palavras não a minha condição de vitima e sim a de parceira de milhões de nordestinos que ao longo do tempo sofreram desse e outros preconceitos. Quando digo que não sou vitima, faço valer também da expressão: “O sertanejo (nordestino) é antes de tudo um forte”. E bota fortaleza nisso... Somos mesmo uma gente arretada; enfrentamos seca, fome, o descaso publico, mas nunca perdemos a força, a esperança, a coragem e nem o sorriso. E com esse sorriso, muitas vezes banguela e o suor escorrendo no rosto fomos a luta, brigamos com as nossas armas, fomos cangaceiros, mártires, poetas, vagabundos e impomos a nossa voz... Recapitulando a historia, lembremos-nos desses nordestinos que na luta em defesa das suas e nossas diferenças abriram a boca... De Padre Cícero a Lampião, de Antonio Conselheiro a Lula. Haja nordestino, haja voz... Hoje subimos ao palácio e deixamos nossa marca, ensinamos com a voz, essa voz engraçada mas que se fez ouvir.... A voz do nordestino que já foi um lamento e hoje é poema: “♪♫ ♪♫ Caminhando e cantando E seguindo a canção Somos todos iguais Braços dados ou não Nas escolas, nas ruas Campos, construções Caminhando e cantando E seguindo a canção “♪♫ ♪♫ 
Outubro/2012
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