22 de janeiro de 2014

Tradicional mini cuscuz é vendido há mais de 40 anos nas ruas de Maceió
Cuscuzes são preparados de forma artesanal em fábrica. (Foto: Jonathan Lins/G1)
Pequeno empresário produz quitutes na parte dos fundos da casa.
Fábrica, no bairro do Jaraguá, mantém modo de trabalho artesanal.

Benedito Cordeiro, o Seu Benedito, 65, prepara a massa e dá forma ao quitute bastante encontrado na mesa dos alagoanos. Tudo é feito de forma artesanal e o pequeno empresário garante que o segredo do sucesso é manter a forma de produção que aprendeu com o antigo dono do local. É desta forma que ele garante o sucesso do cuscuz de milho ou de arroz que 
produz há 47 anos.

Seu Benedito coloca a massa no fogo enrolada

em pano quente. (Foto: Jonathan Lins/G1)

O trabalho começa bem cedo, antes de o dia amanhecer. Para que o cuscuz chegue ao cliente ainda na hora do café da manhã, Seu Benedito começa a preparar a massa por volta de 4h. “Faço a massa sempre antes de colocar no fogo. Não deixo de um dia para o outro porque não presta. Por isso, acordo muito cedo para deixar ela no ponto certo”, disse.

Por volta de 6h, os vendedores saem às ruas em busca de compradores. E basta gritar “olha o cuscuz” para as pessoas abrirem a porta de casa para comprar os quitutes. O trabalho de Seu Benedito se repete no período da tarde, quando os vendedores saem novamente às ruas. Desta vez, para levar o cuscuz que garante o jantar de muitas pessoas.

A pequena fábrica, chamada Cuscuz Nordeste, produz cerca de 500 quitutes por dia. Para isso, além de Seu Benedito, outras seis pessoas trabalham no local. Duas delas o ajudam com o preparo e o restante vende o produto nas ruas.

E foi com o lucro dessas vendas que o pequeno empresário conseguiu criar filhos, netos e bisnetos. “Tiro meu sustento daqui. Já trabalhei com outras coisas, mas isso é o que gosto de fazer e não consegui deixar”, contou, ao destacar que nunca deixou de comer pelo menos um cuscuz pequeno por dia. “Não tem como enjoar porque é muito bom”, fala.


Vendedor diz que volta com o tabuleiro vazio
depois das vendas. (Foto: Jonathan Lins/G1)


O cuscuz é vendido por R$ 0,60 na casa do Seu Benedito e na rua varia de R$ 0,70 a R$ 1. “Sempre vendo tudo o que levo, dificilmente volto com algum. As pessoas provam e viram freguesas, já sei onde vender porque muitos pedem que eu volte no dia seguinte”, conta o vendedor José Anilson da Silva.

Também funcionário da fábrica, Arlindo dos Santos diz que é muito gratificante trabalhar com um produto que agrada a alagoanos e turistas. Ele atua no preparo da massa há 23 anos. “Vim do interior e depois que arrumei esse trabalho não quis deixar mais. É pesado porque é preciso de força no preparo da massa, mas fazemos com alegria”, ressalta.

De empregado a patrão
Seu Benedito começou a trabalhar na fábrica com 18 anos. Ele era vendedor e saía com um carrinho anunciando o produto nas ruas. Depois de alguns anos como vendedor, ele começou a aprender com o primeiro dono da fábrica, o potiguar João Crispim Moraes. “Teve outro dono, mas acabei ficando com ela [a fábrica] e permaneço até hoje”.

O motorista Jailson da Silva é cliente fiel. Ele compra de 20 a 30 quitutes duas vezes por semana. “Quando levei para casa pela primeira vez todos gostaram do sabor. Até quiseram aprender a fazer, mas não conseguiram. É muito bom, quando levo não precisamos fazer mais nada para o jantar”, elogia.

O segredo do sucesso, segundo Seu Benedito, é o modo de preparo. “Tem que ter habilidade e fazer tudo no tempo e com os ingredientes certos. Muitas pessoas vêm aqui e eu até passo a receita, mas depois voltam falando que não conseguiram fazer do mesmo jeito que eu”, conta.


Preparo do cuscuz é feito de forma artesanal. (Foto: Jonathan Lins/G1)


Preparo
O arroz fica de molho, e depois passa por três lavagens. Depois, ele é triturado e peneirado. Com o milho, o mesmo processo é semelhante, o que muda é o tempo de molho que é maior. Depois de deixar a massa marinar, ela é enrolada em um pano úmido e levada ao vapor.

A massa quente sai do vapor em formato de bolinhos pequenos redondos e é regada no leite de coco produzido da própria fruta. Depois ela é colocada em um tabuleiro fechado, de alumínio. Só então os vendedores saem em bicicletas por bairros de Maceió.

Quem quiser comprar ou encomendar os cuscuzes pode entrar em contato pelo telefone (82) 3327-9773. Também é possível comprar direto da pequena fábrica, que fica no quintal da casa de Seu Benedito, localizada na Rua Gustavo Colombo, 59, no bairro de Jaraguá, em Maceió.


Seu Benedito mostra cuscuzes feitos em pequena fábrica. (Foto: Jonathan Lins/G1)

Fonte: G1
Edição
NP: Leanderson Amorim
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