8 de fevereiro de 2017

Imagine o camarada nascer com as duas pernas amputadas do joelho prá baixo e numa das mãos ter dois dedos colados. Na outra ter apenas uma bola de carne pendurada. Isso há mais de cinquenta anos atrás, em plena zona rural de Sertânia. O seu futuro seria certamente pedir esmolas, ser sustentado por algum parente ou esperar uma aposentadoria do governo.

Severino Romeu de Melo, Biu da Fazendinha, não aceitou essa que poderia parecer sua sina. De uma família de gente inteligente e estudiosa, os Patu, de Roberto Patu, Rosali Patu, Rômulo Patu (essa reserva moral e cultural de nossa terra), Álvaro e Tota Góis, Biu foi autodidata já na alfabetização.

Aprendeu a ler sozinho em folhetos de cordel. Aos poucos começou a produzir suas peças utilitárias e estéticas: marreta, figa, depois carro-de-boi, bode, casa-de-farinha. Aos poucos tomou coragem e foi comercializando no Posto Rodoviário de Cruzeiro do Nordeste. Passou a vida mantendo o seu sustento desta forma.

Biu tem uma relação com o artista mineiro Aleijadinho, que mesmo com necessidades especiais, produziu esculturas maravilhosas nas cidades históricas. Biu, artesão especial, nascido e criado no Sítio Fazendinha, próximo aos coqueiros, cria suas obras a partir do imaginário do homem sertanejo do Moxotó, o seu entorno.

Biu é uma figura, já foi boêmio, tomador de cerveja e meio farrista. Fala bem, conversa articulada, gosta de ler e de boa música. Filiado ao PCB – Partido Comunista Brasileiro, mas, quase não fala sobre política. Seu terreiro mesmo é arte, inspiração, Sertão.

Biu Aleijadinho é mais uma das joias que Sertânia tem escondidas, mas que precisam ser descobertas e exibidas para orgulho do nosso povo, por ser de uma cidade de poetas, escritores e artistas.

Por: Cauê Rodrigues

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